Tédio x Inovação

Liderança Ética como diferencial

Filosofia e Tédio

O desejo (entendido aqui, como força criativa) quando sucessivamente reprimido ou simplesmente depreciado, pode transformar um funcionário potencialmente ativo, em um opaco figurante entre a máquina de café e a impressora a laser. Porém, quanto o desejo é vencido pelo tédio, o que era pura monotonia pode se modificar para pequenos atos transgressivos, em ações antiéticas que podem nascer exatamente do anseio de uma emoção extra. O consultor americano em Ética Tom Morris ressalta este problema muitas vezes negligenciado no mundo corporativo:

 Em um estudo recente do comportamento não-ético, um número surpreendente de pessoas entrevistadas admitiram que frequentemente se sentiram tentadas a desobedecer as regras (…) pelas simples necessidade de um pouco de emoção. Segundo elas, com muita freqüência a vida é tediosa. De vez enquanto, é preciso injetar algumas doses de emoção na mistura insossa do dia a dia.

[1]      

O tédio pode gerar desde pequenos danos para o patrimônio da empresa (o furto de um grampeador, por exemplo) que mais parece uma infração infantil (ou uma revanche rancorosa em relação ao seu empregador) como um desfalque de proporções mais sérias.

Décadas atrás, uma empresa não teria motivo algum para se preocupar com o tema, já que elas estavam interessadas na produção em larga escala e dispensavam metodologias que enfatizassem o potencial de inovação de cada colaborador, o que hoje, é altamente requerido no universo corporativo. No entanto, os tempos criaram novas necessidades técnicas e gerenciais, uma enxurrada de informações e uma acirrada busca por seres mais criativos, produtivos e ao mesmo tempo competentes. E o excesso de exigências, assim como a falta delas, gera:

 T-é-d-i-o.Filosofia e Tédio

Como uma típica enfermidade moderna, o tédio afeta diretamente a produtividade e o engajamento profissional, uma vez que o cotidiano, por si só, já arremessa a maioria das pessoas a uma insatisfação permanente, típica do período histórico em que estamos, em que o imediatismo se torna asfixiante. Como define o poeta Fernando Pessoa: “sofrer sem sofrimento, querer sem vontade, pensar sem raciocínio”[2], uma sensação de desmotivação e de apatia intelectual e emocional.

O que realmente impressiona é que a maioria das empresas anseiam expandir seus negócios através de estudos comportamentais dos consumidores e, no entanto, ignoram sua vida interior, tentam simplesmente “ativar” seus colaboradores por intermédio de “momentos motivacionais”, que nem sempre surtem os efeitos planejados, como ressalta Morris:

Muitas empresas convidam palestrantes motivacionais regularmente com o objetivo de inspirar suas tropas durante uma hora, um dia ou uma semana. Mas, para que possam criar raízes e produzir frutos, essas sementes de inspiração precisam ser lançadas em solo fértil.

O tédio deve ser superado por um conjunto de ações eficazes, para além das experiências cheias de adrenalina em quedas d’água ou escaladas, mas sim, fidelizando as relações entre funcionário e empresa, no incentivo a participação dos integrantes através de um crescimento abrangente e sólido. Cursos voltados para Liderança Ética por exemplo, fortalecem a relação dos gestores com suas equipes, não só profissionalmente como intelectualmente, o que SEMPRE gera inovação, aumento qualitativo na tomada adequada de decisões e combate aos sintomas do tédio corporativo.

A implementação de metodologias éticas, podem, “consistentemente” gerar uma participação mais ativa dos colaboradores, nutrindo um sentimento de estabilidade, confiança e segurança. O “fator tédio” deve constar nas planilhas de desenvolvimento de uma corporação, ele é uma toxina que neutraliza o potencial latente dos funcionários de uma empresa, inibindo a criatividade dos indivíduos envolvidos no jogo corporativo.

COMENTE, COMPARTILHE, CURTA!


[1] MORRIS, Tom. A alma do Negócio: Como a filosofia pode melhorar a produtividade de sua empresa. Tradução de Ana Beatriz Rodrigues e Priscila Martins Celeste. Rio de Janeiro. Campus: 1998. Pág. 150.

[2] SVENDSEN, Lars. Filosofia do Tédio. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Jorge ZAHAR. Rio de Janeiro, 1999. Pág.20.

_____________________________________________________

Bibliografia Básica:

MORRIS, Tom. A alma do Negócio: Como a filosofia pode melhorar a produtividade de sua empresa. Tradução de Ana Beatriz Rodrigues e Priscila Martins Celeste. Rio de Janeiro. Campus: 1998.

SVENDSEN, Lars. Filosofia do Tédio. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Jorge ZAHAR. Rio de Janeiro, 1999.

2018-04-30T14:53:41+00:00

Share This Story, Choose Your Platform!

About the Author:

Rose Cunha é docente de graduação e pós-graduação (MBA) em Ética Empresarial e Sustentabilidade, mestre em Filosofia da Religião pela PUC/SP, Graduada em Filosofia pela Faculdade do Mosteiro de São Bento e palestrante de temas envolvendo Ética nos Negócios.

2 Comments

  1. Sandro Torres junho 25, 2012 at 2:52 pm - Reply

    Concordo. Resultado do robotismo corporativo e do comodismo pessoal, o tédio pode causar danos, tanto para a marca quanto para as pessoas. O furto, comportamento não-ético, confirma a falta de lucidez do ser humano na busca de um preenchimento vago do vazio. A descoberta da missão pessoal, independente da missão corporativa, ajudará a preencher esse vazio, onde todo trabalho se torna diário, sem forma e sem fim, independente da profissão. Fazer o bem para os outros começando por si é a solução. Afinal, todo comportamento negativo é incoerente à qualquer essência, onde o problema não está na consequência, mas na falta de autoconhecimento.

    • Rose Cunha julho 17, 2013 at 9:30 pm - Reply

      Sandro,

      Suas palavras são preciosas e retratam bem a busca que todas as corporação deveriam incessantemente perseguir, ou seja, o de dar sentido para o trabalho dos colaboradores através do esclarecimento e da valorização ética de cada elemento, levando em consideração sua essência humana.

Leave A Comment Cancelar resposta

Toggle Sliding Bar Area